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Conversas, cotidiano, artes, fazedors de artes, cultura, cidadania, são temáticas imbricadas no nosso caminhar e, por isso, passarão por aqui. Aberto a contribuição de todas as pessoas sintonizadas conosco... sejam bem-vindos!
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sexta-feira, 19 de março de 2010

evento é vento...


...recordo-me de Rômulo Avelar quando das suas aulas de produção cultural na UNA, nos alertar para o fato de que se deixarmos que um trabalho cultural se restrinja apenas num evento, ele se esvai. Voa como e com o vento. Não deixa substrato. Se transforma em puro entretenimento. "Evento é vento", ele dizia. Carrego comigo essa máxima desde aquela época. Agora, ruminando todo o processo de construção de NA PALMA DOS OLHOS, desde a escrita dos projetos, ensaios, busca de parcerias, até as quatro noites de apresentação e os comentários do público, fico matutando o quanto foi válido ter soprado essa frase aos ventos da terrinha do sol. Um dos objetivos traçados de NA PALMA DOS OLHOS foi que o trabalho não fosse apenas um evento e sim um "processo" com muitos desdobramentos. Isso foi claramente demonstrado aos nosso parceiros quando da proposta. Agora, a resposta da platéia revela o início de um legado cumprido.Um espetáculo para além de um mero produto cultural, um espetáculo enquanto um resultado de "intenções", cujo alvo é a platéia, um espetáculo por não ser simplesmente um espetáculo. Mesmo com falhas, o que é sempre normal, porque imprevistos sempre são passíveis de ocorrer numa produção artística, o trabalho continua seu processo de construção. Talvez porque foge à linha comercial. Não tivemos na platéia, um sucesso em termos de quantidade de pessoas, mas em termos de qualidade, isso é indubitável. Algumas pessoas assistiram e voltaram para assistir novamente, levando alguém consigo. Outras pessoas disseram que agora sim, entendem que dança contemporânea não é aquilo que ninguém entende. Crianças que nunca tinham ido ao teatro, sonham agora em poder pisar no palco. Quando Paolla, Hellen e Ana aceitaram estar conosco para nos auxiliar na produção, pedi a elas que, dentro das possibilidades permanecessem na ausculta e passassem a olhar com outros olhos tudo aquilo que podeira parecer simples. E todas as noites, depois das apresentações, elas me diziam algo que haviam percebido. Na primeira noite, revelaram que até então, nunca tinham visto em Palmas, aplausos da forma que foi. Dizendo elas, as cortinas se fecharam, as pessoas permaneceram sentadas em silêncio. Abissal. Quando abriram as cortinas, as pessoas começaram a aplaudir e mantiveram os aplausos em pé. Nesta mesma noite, me contaram que Paulo, ator de grande talento aqui do Tocantins, disse-lhes que "agora sim, descobri que gosto de dança contemporânea". E ele assistiu ao espetáculo por três noites. Na sexta-feira, Hellen me disse que fez questão de durante o espetáculo passear miudinho pela platéia. Ficou emocionada ao perceber que as crianças da platéia estavam vidradas, maravilhadas, assistindo ao espetáculo. Paolla também comentou que observou o encantamento das crianças. No sábado, elas perceberam que a platéia estava mais fria. E no domingo, houve um salto, mas perceberam que algumas mudanças no que se refere ao próprio trabalho artístico. Há muita coisa que permeia o trabalho...desde o despertar da platéia, os novos olhos para o ofício. E o contentamento é grande. O ciclo de estréia e temporada se fecha e o convite para reuniões se abre. E Monise, no domingo ainda dentro do teatro, já agendou reunião com a Diretoria de Cultura da UFT. E ontem, foi prazerosa a conversa e o almoço com ela, Cellene, Carol, João. E quando cheguei, as primeiras palavras de Cellene foram a materialização de todos os pensamentos que "pipocavam" desde o início do trabalho. E quando a ouvi dizer que tem a pretensão de ações ao infinito, conclui que de fato, nosso trabalho não foi um evento, porque estamos nos fortalecendo com pessoas com objetivos comuns na tessitura e fortalecimento de uma "trama", de uma "rede", onde cada qual, na sua especificidade, talento, profissão, contribui para a construção de caminhos a serem seguidos por outros. Um outro pilar da arquitetura de Palmas...aberto para o encontro. De pessoas, pensamentos, aspirações. A descontruir e construir. O imaginário. Coletivo!

terça-feira, 16 de março de 2010

para Cláudio Lavôr

...de Boa Vista-RR, fotos de alguns ensaios nas lentes de Rodolfo Ward.









terça-feira, 9 de março de 2010

Teatro Sesc Palmas inicia temporada 2010


"Olá!


O Teatro Sesc Palmas inicia a temporada 2010 com uma grande novidade para o público palmense, em se tratando de produção de dança contemporânea local.

A formação de um elenco primoroso e a proposta de criar um espetáculo de dança contemporânea que desnuda Palmas de forma poética, sob a ótica de novos residentes, foram elementos suficientes para conquistarem o Prêmio Klauss Vianna, da Funarte.

Por tudo isso e pelo que ainda não foi visto, você está convidado(a) a apreciar a nossa Programação Artística, feita para quem adora aplaudir o que é bem feito.
(...)

Abraços,

Luiz Melchiades
Promotor em Artes Cênicas - SESC/TO"

segunda-feira, 8 de março de 2010

ensaio mudo


E o ensaio foi mudo... Sem trilha sonora. Contagem apenas do diretor. E o iluminador cênico se fez presente. E os técnicos do SESC como de rotina, sempre bem-humorados nas labutas. Da véspera. Clayton e Fred a sorrir, papear e botar a mão na massa. E no meio do ensaio, o vulto de Melchiades. Ele, sempre que lá estamos, surge "relâmpago", como forma de dizer que está acompanhando o trabalho e, que, se precisarmos de algo, é só falar. Agora, falta muito pouco. Mas como em tudo na "dualidade terrestre", falta muito. Lacunas sempre existem. E é chegada a hora. Do desvelar dos véu e as cortinas se abrirem...para acontecer de fato o diálogo. Entre palco x platéia. Esta, elemento imprescindível para o fenômeno espetacular. E mesmo nos tempos de agora, enxergo atuais reflexões de Grotowski que abaixo transcrevo:

"Estamos interessados no espectador que sinta uma genuína necessidade espiritual, e que realmente deseje, através de um confronto com a representação, analisar-se. Estamos interessados no espectador que não pára num estágio elementar de integraçaõ psíquica, satisfeito com sua mesquinha estabilidade espiritual, geométrica, sabendo exatamente o que é bom e o que é ruim sem jamais pôr-se em dúvida. Não foi para ele que El Grego, Norwid, Thomas Mann e Dostoiévski falaram, mas para aquele que empreende um processo interminável de autodesenvolvimento, e cuja inquietação não é geral, mas dirigida para uma procura da verdade de si mesmo e da sua missão na vida.

Não satisfazemos o espectador que vai ao teatro para cumprir uma necessidade social de contato com a cultura: em outras palavras, para ter alguma coisa de que falar a seus amigos e poder dizer que viu esta ou aquela peça, que foi muito interessante. Não estamos no teatro para satisfazer sua "sede cultural". Isto é trapaça.

Tampouco satisfaçamos o homem que vai ao teatro divertir-se, depois de um dia de trabalho. Todo mundo tem o direito de divertir-se depois de um dia de trabalho, e há inúmeras formas de divertimento para esse propósito."
(GROTOWSKI, Em Busca de um Teatro Pobre)